Teoria da Evolução : Um Paradigma Ultrapassado

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O livro “A Estrutura das Revoluções Científicas”, de Thomas Khun, é o mais famoso livro sobre ciência do século XX. Utilizando conceitos como paradigma, ciência normal, anomalia, crise e mudança, Khun inaugura uma nova forma de enxergar o empreendimento científico ao longo da história, tão revolucionária que seu impacto tem sido sentido até os dias atuais. Sabe-se que a teoria da evolução já tinha sofrido severas críticas de Karl Popper, outro grande filósofo da ciência, autor do livro “A Lógica da Pesquisa Científica”, o qual, em dado momento, chegou a a chamá-la de programa de pesquisa metafísico. Após ele, Khun surge para enfraquece-la ainda mais, isso de maneira indireta. A razão pela qual isso acontece é que, quando tenta passar pelo crivo da “Estrutura”, o darwinismo se revela como um paradigma que antes era dominante e hegemônico, mas que agora, afetado por uma quantidade enorme de anomalias, segue o seu processo inevitável de morte. Para que se possa compreender essa afirmação, é necessário que o pensamento de Khun seja brevemente resumido.

PARADIGMA
Esse termo significa uma forma de ver o mundo e de interagir com ele. Paradigma é um pacote de afirmações sobre o mundo, métodos de reunir e analisar informações, e hábitos de ação e pensamento científico. Em outras palavras, é uma forma específica de se fazer ciência. O seu papel é organizar o trabalho científico e coordenar o trabalho de indivíduos em um empreendimento coletivo. Khun enfatiza que o estabelecimento do paradigma é resultado de fatores arbitrários que influenciam decididamente as decisões científicas e a rigidez da doutrinação científica dos estudantes. O paradigma assim se transforma num conjunto de caixas conceituais para dentro das quais os cientistas tentam empurrar a natureza a todo custo. E qual seria o paradigma das ciências biológicas? Não há dúvidas de que sua estrutura teórica está assentada sobre a cosmovisão darwinista. A opinião prevalente, inclusive, é que nada faz sentido na biologia sem ela. A sua eliminação simplesmente faria ruir todo um edifício teórico.

CIÊNCIA NORMAL
Trata-se de um novo modelo de investigação unificado por um determinado paradigma. Alguns exemplos podem ser apontados. Dentro da Física a maior parte do trabalho foi feito com base nas descobertas de Newton e Einstein. Na psicologia, a abordagem principal se amparava nas idéias do “behaviorista” Skinner. A genética molecular é baseada no seguinte: (1)genes são feitos de DNA, (2) genes tem efeitos na produção de proteínas moleculares e regulação de outros genes, (3) ácidos nucleicos especificam estruturas de proteínas. Assim, toda ciência normal se baseia em princípios que constituem um dogma central. E na biologia, é claro, praticamente nenhum fenômeno é analisado e explicado sem o uso de um pano de fundo evolucionista. O que importa aqui é ressaltar que o que distingue a ciência normal de outras ciências é a ausência de debate sobre fundamentos. Depois que os cientistas chegam a consenso sobre um conjunto de conceitos fundamentais, eles não irão perder tempo debatendo sobre assuntos básicos que surjam depois em seu campo. Uma vez que biologistas aceitam como fato o papel criador das mutações genéticas aleatórias, combinadas com a seleção natural, toda a pesquisa posterior simplesmente irá pressupor esses dogmas como fatos, como pontos de partida indiscutíveis. Não há portanto, espaço para aberturas. Todo debate sobre o que é básico em biologia é completamente encerrado.

ANOMALIA E CRISE
Já foi dito que na ciência normal as idéias fundamentais, associadas a um paradigma, não são debatidas. Elas são isoladas de qualquer ameaça de refutação. Os cientistas passam o tempo tentando expandir o paradigma, teoricamente e experimentalmente, para assim lidar com novos casos. Quando há falhas nos resultados esperados, o bom cientista tenta descobrir qual erro cometeu, pois “a priori” o problema não está na teoria, mas sim no método experimental. É muito difícil jogar fora um paradigma inteiro. Por isso tenta-se adequar ao máximo os dados incoerentes ao corpo aceito de “fatos científicos”. Ocorre que, em algumas circunstâncias, a massa crítica de anomalias cresce e um paradigma rival surge. A anomalia é um enigma que resiste a solução. Enquanto não há muitas, a ciência normal desempenha seu trabalho, mas quando elas se acumulam demais, a tensão atinge um nível insuportável. Nesse ponto os cientistas perdem a fé nesse paradigma. O resultado é a crise. Não há dúvida alguma de que a teoria da evolução passa por um momento de crise. Nunca essa doutrina foi tão desafiada, haja vista a quantidade cada vez crescente de dificuldades e problemas que ela é incapaz de explicar. Listam-se algumas: ausência de fósseis, entropia genética, ausência de modelo matemático que represente os mecanismos evolutivos, o enigma da complexidade irredutível dos organismos, o fracasso de criar vida de não vida, a origem da informação especificada do DNA etc. Diante desse quadro, os evolucionistas tentam se refugiar no chamado materialismo promissório, expressão utilizada por Karl Popper para designar a fé materialista. O materialismo promissório depende de notas promissórias por descobertas científicas que ocorrerão no futuro e que justificarão suas crenças. No contexto dessa postura, as dificuldades são eufemisticamente chamadas de “lacunas”, de natureza provisória, quando na verdade são aquilo que Khun já apontou: anomalias, aberrações incorrigíveis que evidenciam claramente a fragilidade do evolucionismo. Poderiam ser toleradas se fossem poucas, mas hoje o paradigma vigente é como um balde cheio de furos, vazando água por todos os lados. Não resta outra saída senão substituí-lo por outro, mais consistente.

MUDANÇA E NOVO PARADIGMA
A transição para uma crise é como a passagem de uma substância de um estado a outro. Por exemplo, é como a transição da água do estado sólido para o líquido. A mudança na ciência não ocorre de maneira abrupta, repentina. Aos poucos os cientistas perdem fé no antigo paradigma, e aos poucos eles se tornam receptivos ao paradigma rival, momento e que se estabelece novos ciclos de debates sobre princípios fundamentais do campo de pesquisa. Um paradigma não se quebra facilmente, mas quando o estímulo certo aparece, a revolução científica entra em cena. É fácil identificar as mudanças de paradigmas ao longo da história da ciência. A teoria geocêntrica de Ptolomeu foi substituída pela teoria heliocêntrica de Copérnico. Newton afirmava que a gravidade era uma propriedade dos corpos, mas Eistein veio depois, com a Teoria da Relatividade geral, declarando que a gravidade se deve a distorções do espaço-tempo causado pelo peso das massas dos corpos. É evidente que a teoria da evolução não goza mais do mesmo crédito que tinha há duzentos anos atrás. O movimento é quase imperceptível, mas ao poucos a comunidade científica vai se tornando mais receptiva a outros sistemas teóricos que tenham condições de fornecer um modelo científico mais convicente para a descrição e explicação dos fenômenos biológicos. Como importante candidato a novo paradigma científico, pode-se citar o “Design Inteligente”, uma teoria que mostra mais consistência por apontar na natureza da vida aquilo que o evolucionismo descartou em sua cegueira metodológica: sinais de projeto e a existência de informação especificada em toda a natureza. Esse processo de revolução científica é inexorável. Em breve o paradigma evolucionista será substituído por outro melhor.