Parece que Darwin respondeu todas as pistas…pois é, só parece.

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Quando Charles Darwin finalizou seu famoso livro, ele pensou que explicou todas as pistas de uma vez.

Como todos sabem, A Origem das Espécies foi uma realização singular. Tipo uma catedral gótica, o trabalho ambicioso integrado com muitos elementos disparates numa grande síntese, explicando fenômenos em campos muito diversos como anatomia comparativa, paleontologia, embriologia, e biogeografia. E ao mesmo tempo, era impressionante pela sua simplicidade. A Origem das Espécies explicou muitas classes de evidências biológicas com apenas 2 ideias centrais. Os pilares gêmeos da Teoria de Darwin foram as ideias da ancestralidade comum universal e seleção natural.

O primeiro desses pilares, ancestralidade comum universal, representa a Teoria de Darwin da História da Vida. Ela reivnidica que todas formas de vida, descendem em última instância, de um único ancestral comum em algum lugar no passado distante. Numa famosa passagem de Origem das Espécies, Darwin argumentou que “todos os seres orgânicos que já viveram na Terra, descendem de alguma forma primordial”. Darwin pensou que essa forma primordial, gradualmente se desenvolveu em novas formas de vida, que gradualmente vieram a se desenvolver em outras formas de vida; eventualmente produzindo, depois de muitos milhões de gerações, toda vida complexa que nós vemos no presente.

Livros textos de Biologia hoje, usualmente ilustram essa ideia que Darwin teve, com uma grande árvore ramificada. O tronco da árvore da vida de Darwin, representa o primeiro organismo primordial. Os ramos e galhos dessa árvore representam as muitas novas formas de vida que se desenvolveram a partir desse organismo primordial. O eixo vertical da árvore, onde ela foi plantada, representa a seta do tempo. O eixo horizontal representa as mudanças nas formas biológicas, ou o que biológos chamam de “distância morfológica”.

Biólogos tipicamente chamam a Teoria de Darwin da História da Vida, como “Descendência Comum Universal”, para indicar que todo organismo na Terra, surgiu de um único ancestral comum por um processo de “descendência com modificação”. Darwin argumentou que essa ideia melhor explica uma variedade de evidências biológicas, como :

– a sucessão de formas dos fósseis
– a distribuição geográfica de várias espécies (como a dos tentilhões de Galápagos)
– similaridades anatômicas e embrionárias entre organismos bastantes distintos.

O segundo pilar da Teoria de Darwin, afirma o poder criativo de um processo chamado seleção natural, um processo que atua em variações aleatórias nas características ou traços dos organismos e sua prole. Enquanto a teoria de descendência comum universal postula um padrão (uma árvore ramificada) para representar a História da Vida, a ideia de Darwin da seleção natural, se refere a um processo, o qual ele disse que poderia gerar a mudança proposta por sua árvore da vida ramificada.

Darwin formou a ideia da seleção natural por analogia com um processo bem conhecido. A seleção artificial, ou a reprodução seletiva. Qualquer um no século XIX era familiar com a criação de animais domésticos -cachorros, gatos, cavalos, ovelhas, pombos, etc- e sabiam que poderiam alterar as características de animais domésticos, ao fazer com que apenas animais com certas características acasalassem. Nesses casos, “a chave é o poder do homem da seleção acumulativa”, Darwin escreveu. “A natureza fornece variações sucessivas, e o homem as adiciona em certas direções que são vantajosas para ele”.

Mas como Darwin apontou, a natureza também tem um significado de peneirar : criaturas defeituosas são menos prováveis em sobreviver e reproduzir, enquanto a prole com variações benéficas são mais prováveis em sobreviver, reproduzir, e passar suas vantagens para futuras gerações. Em A Origem das Espécies, Darwin argumentou que esse processo, da seleção natural atuando em variações aleatórias, poderia alterar as características de organismos, assim como os donos de animais domésticos poderiam fazer, com uma seleção inteligente.

Esse foi o grande insight de Darwin. A natureza -na forma de mudanças ambientais ou outros fatores- poderia ter o mesmo efeito numa população de organismos, tal qual decisões intencionais de um agente inteligente. A natureza favoreceria a preservação de certas características sobre outras -especificadamente, aquelas que conferem uma vantagem funcional ou de sobrevivência nos organismos que as possuem- causando a mudança nas características da população. E o resultado dessa mudança não foi produzido por um agente inteligente, escolhendo uma determinada característica ou traço – isto é, não por seleção artificial-, mas por um processo totalmente natural. Além do mais, Darwin concluiu que esse processo de seleção natural atuando em variações que aparecem aleatoriamente, foi o “agente chefe da mudança”, em gerar uma grande ramificação da árvore da vida em toda sua diversidade.

A Origem das Espécies, apossou a atenção da comunidade científica como um relâmpago. A analogia de Darwin para a seleção artificial foi poderosa; ele propôs um mecanismo de seleção natural e variações aleatórias, que são facilmente compreendidos, e sua habilidade em retórica, eram quase incomparáveis.

Além do mais, o escopo explanatório do seu argumento para a descendência comum universal, constituiu algo como um tour de force. No fim de A Origem das Espécies, pareceu para muitos que Darwin respondeu todas objeções concebíveis para sua teoria…menos uma.

 

  • Traduzido de Darwin’s Doubt

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