Cético do poder da seleção natural e mutação aleatória

cambriano

A evidência fóssil do Cambriano representa um significativo desafio para a alegação de Darwin de que a seleção natural teve a capacidade de produzir novas formas de vida animal. Como Darwin descreveu, a habilidade da seleção natural em produzir significativas mudanças biológicas, depende da presença de 3 elementos distintos :

a) Variações aleatórias
b) A herdabilidade dessas variações
c) a competição pela sobrevivência, resultando em diferenças no sucesso reprodutivo entre os organismos que competem.

De acordo com Darwin, variações em características, ocorrem aleatoriamente. Algumas variações como uma lã mais grossa, podem ser vantajosas na competição pela sobrevivência num dado ambiente. Essas variações que são herdáveis e que transmitem uma vantagem funcional ou de sobrevivência, irão ser preservadas na próxima geração. Como a natureza ”seleciona” essas variações bem-sucedidas, as características da população mudam.

Darwin concedeu que as variações benéficas, responsáveis por mudanças permanentes nas espécies, são raras e necessariamente modestas. Muitas variações em formas, irão formar o que biológos evolucionistas chamaram depois de “macromutações”, que inevitavelmente produzem deformações e morte. Apenas algumas pequenas variações passam no teste da viabilidade e herdabilidade.
Assim, em períodos de tempo da vida de um ser humano, os benefícios desse mecanismo evolutivo, seriam díficeis ou impossíveis de serem alcançados.

Mas, dado bastante tempo, variações favoráveis iriam gradualmente se acumular e dar origem a novas espécies, e dado mais tempo, até mesmo novos grupos de organismos e design corporal. Se a seleção artificial pode produzir tantas classes estranhas a partir de uma estirpe selvagem, Darwin argumentou, quanto mais a seleção natural o faria em muitos milhões de anos. Até mesmo a origem de estruturas complexas como o olho dos mamíferos, poderiam ser explicados se fosse postulado a existência de uma estrutura inicialmente mais simples (como uma célula sensível a luz) e que seria gradualmente modificada ao longo de grandes períodos de tempo.

E aí que está o ponto-chave. O mecanismo de Darwin da seleção natural e variação aleatória, necessariamente precisou de muito tempo para gerar organismos completamente novos, criando um dilema que Agassiz na época, expôs.

Em 1874, Agassiz em “Evolução e a Permanência do Tipo”, explicou suas razões em duvidar do poder criativo da seleção natural. Pequenas variações, ele argumentou, jamais produziram uma “diferença específica” (i.e, uma diferença em espécie). Enquanto isso, variações em larga escala, sejam alcançadas gradualmente ou abruptamente, inevitavelmente resultam em esterilidade ou morte. Como ele colocou : ” É uma questão de fato que extremas variações, em última instância, degeneram ou se tornam estereis; como monstruosidades, elas morrem”

O próprio Darwin insistiu que o processo evolutivo da mudança deve ocorrer, o qual ele imaginou, muito gradualmente, por essa mesma razão. Assim, Darwin concluiu que a construção, por exemplo, de um trilobita a partir de organismos unicelulares, através da seleção natural, operando passo-a-passo, em pequenas variações, iria requerer incontáveis formas transicionais e experimentos biológicos fracassados ao longo de vastas extensões do tempo geológico. Como o paleontólogo da Universidade de Washington, Peter Ward, iria mais tarde explicar, Darwin tinha expectativas muito específicas do que os paleontólogos iriam encontrar abaixo do mais inferior estrato animal conhecido : “estratos sucessivos mostrando fósseis aumentando em complexidade até finalmente trilobitas aparecerem”. Como Darwin, notou : “Se minha teoria é verdadeira, é indisputável que antes do estrato mais inferior, o Cambriano, ter sido depositado, longos períodos de tempo se passaram, tão longos, ou provavelmente muito mais longos, do que todo intervalo do Cambriano (Silurian) até o presente; e durante esse vasto, ainda desconhecido, períodos de tempo, o mundo foi abundado com criaturas vivas”.

O mecanismo da seleção natural necessariamente teve que trabalhar gradualmente em pequenas variações incrementais.

E além disso, os tipos de variações que Darwin de fato observou e descreveu no desenvolvimento de sua analogia entre seleção natural e artificial, eram em todo caso, mínimos. Apenas em selecionar e acumular pequenas variações em muitas gerações, criadores eram capazes de produzir impressionantes mudanças nas características de uma raça, mudanças que, mesmo assim, extraordinariamente modestas, comparadas com as diferenças radicais na forma, digamos, entre as formas de vida do Pre-Cambriano e o Cambriano. No final das contas, Agassiz apressou em comentar, os pombos que Darwin citou em suporte do poder criativo da seleção artificial, e por analogia,da seleção natural, ainda eram pombos. Mudanças mais significativas na forma e estrutura anatômica dos organismos, pela lógica dos mecanismos darwinianos, precisariam de incontáveis milhões de anos para ocorrer. Precisamente o que parece ser inviável no caso da Explosão Cambriana.

– Texto traduzido de Darwin’s Doubt .

 

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