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Afonso de Vasconcelos chama William Lane Craig de Satanista por Defender o Livre-Arbítrio!

 

 

 

No vídeo 552 do canal Ciência de Verdade, Afonso de Vasconcelos faz diversas considerações no mínimo estranhas sobre o “livre-arbítrio” no contexto bíblico.

No minuto 14:08 ele diz:

“livre-arbítrio significa que você toma a sua decisão totalmente livre de influência externa”.

Não, está errado. Essa não é e nunca foi a definição filosófica de livre-arbítrio. O livre-arbítrio é tão somente a ideia de que o único causador das suas ações e escolhas é você mesmo. A influência externa não escolhe por você. Em outras palavras, nada além de você mesmo determina sua escolha.

Algumas vezes, os filósofos chamam isso de causalidade do agente. O próprio agente é a causa de suas ações e não algo externo a ele.

Por exemplo, num contexto bíblico: Adão e Eva foram tentados pela Serpente para comer o fruto proibido por Deus. A escolha de desobedecer a Deus e de comer o fruto foi feita por Adão e Eva; e não pela Serpente. E por isso Adão e Eva são culpados. Adão e Eva escolheram livremente desobedecer a Deus, pois a sua escolha não foi determinada ou causada pela Serpente ou por ninguém além deles mesmos.

É que nem quando você vai numa loja e vê um produto numa promoção tentadora. A propaganda vai ser um fator no seu julgamento para comprá-lo ou não. A sua mente irá avaliar a situação e escolherá livremente a compra ou não do produto. Se seus pensamentos forem inclinados para o consumismo, você provavelmente comprará. Mas, se eles forem inclinados para manter as contas em dia, você vai recusar a compra. Há toda uma circunstância e influência para suas escolhas; mas no fim do dia elas são as SUAS escolhas.

No fim, é você que escolhe e é você que será responsabilizado por suas escolhas. E isso define o livre-arbítrio.

Se a escolha não fosse sua, então, o arbítrio não seria livre. Mas a escolha é sua. Você escolhe fazer o bem ou o mal.

Eu posso agora livremente escolher levantar o meu braço. Não estamos causalmente determinados a fazer todas as escolhas que fazemos; muitas escolhas são nossas e, portanto, são escolhas livres.

Esse entendimento do livre-arbítrio tem relevância para o caso do próprio Deus. Jesus, sendo divino, era impecável (não podia pecar). Portanto, não havia possibilidade de ceder às tentações de Satanás no deserto. No entanto, ele resistiu ao pecado livremente porque nada externo a ele determinou suas escolhas. Jesus não poderia ter escolhido pecar, mas resistiu livremente ao pecado. Mais uma vez, Deus não pode escolher fazer o mal, mas Ele faz o bem livremente, porque nada fora dele determina o que Ele faz.

Deus Todo-Poderoso tem livre-arbítrio pois Ele toma suas decisões livremente. Ninguém decide por Ele.Nada pode impedir Deus de tomar uma decisão. E como nós somos a sua imagem e semelhança, também tomamos e pesamos nossas decisões de modo livre. A decisão é minha, não de terceiros. Isso não significa dizer que eu não fui influenciado a tomar uma decisão. Significa dizer tão somente que eu escolhi, e não uma lei natural ou algo externo escolheu por mim. Nosso poder de escolha não é uma ilusão, é real. Lembre-se que você será julgado por Deus pelo que você fez. Pelas suas escolhas. Se não há livre-arbítrio, porque Deus julgaria robôs?

No minuto 17:10, Afonso de Vasconcelos diz que a palavra ”livre-arbítrio” não existe no dicionário: “Se eu procurar no dicionário, não existe a palavra livre-arbítrio, existe a palavra arbítrio”.

Numa pesquisa de menos de 10 segundos, eu encontrei a palavra “livre-arbítrio” no dicionário Michaelis:

Quem procurou essa palavra no dicionário e não achou provavelmente não sabe que ela tem um hífen.

Em 23:49 Afonso diz que “livre-arbítrio só existe em dicionário espírita, dicionário satanista etc tal”.

Pois é…o Michaelis deve ser um dicionário satanista então.

Todavia, filosoficamente o dicionário definiu a palavra de modo impreciso.

Livre-arbítrio é o poder de escolha de uma criatura sem que essa escolha seja determinada por fatores externos a ela.

No minuto 17:20, Afonso de Vasconcelos diz: “De onde vem essa palavra? Sabe onde eu ouvi essa palavra? Tinha pessoas da minha família que eram espíritas então aparecia muito a palavra livre, livre, livre, livre-arbítrio, livre-arbítrio, livre-arbítrio, livre-arbítrio, livre-arbítrio.”

No minuto 18:40, em complemento ao que foi dito acima, Afonso fala que “o satanismo vive falando a mesma coisa:  você é totalmente livre”

No minuto 19:00 ele afirma: “quem defende livre-arbítrio é espírita e satanista!”

Nossa!

Segundo Afonso de Vasconcelos todos grandes apologistas cristãos como William Lane Craig, Alvin Plantinga, C.S Lewis (ele escreveu um livro sobre livre-arbítrio chamado Cristianismo Puro e Simples), Ravi Zacharias, dentre muitos outros, são satanistas (ou espíritas) por usarem o livre-arbítrio para explicar o Problema do Mal.

Para estes apologistas cristãos, Deus criou criaturas livres que escolhem livremente entre o bem e o mal. Dessa forma, as criaturas escolhem livremente adorá-Lo, mas eventualmente tais criaturas escolhem fazer o mal e assim se explica a existência do mal moral no mundo.

Se não há livre-arbítrio, então Deus criou robôs. De fato, a existência do livre-arbítrio é o que explica Adão e Eva terem escolhido livremente desobedecer a Deus. Não foi a Serpente que escolheu por eles, muito menos Deus. A escolha foi tão somente deles, afinal, eram criaturas livres, isto é, criaturas com livre-arbítrio.

Se Deus não tivesse criado criaturas livres, tais criaturas sempre fariam o bem. Porém, um mundo assim é menos valioso do que um mundo com criaturas livres, pois, ninguém iria conhecer a Deus livremente. O ato de fazer o bem só existe por causa do livre-arbítrio, do seu poder de escolha de fazê-lo. Pois se sua escolha não dependesse apenas de você, o ato de fazer o bem (ou o mal) seria externo a você. Como se fosse uma programação. Você não poderia dizer “EU fiz algo bom” ou “EU fiz algo mau”.

Por conta do pensamento fatalista e determinístico, muitos cristãos aderem a Teologia de que o mundo criado por Deus é como se fosse um “grande jogo de vídeo-game’’ em que o poder de escolha das criaturas não é nada diferente do que a escolha de um robô.

Já pensou no Dia do Julgamento alguém dizer assim…”Mas Senhor, a culpa não é minha! Pois não existe livre-arbítrio!! O Senhor que me programou a tomar aquela decisão…eu vi um Youtuber falar que o mundo é um grande vídeo-game!”

Além disso, o entendimento de Afonso de Vasconcelos que a palavra “livre-arbítrio’’ vem do Espiritismo é totalmente equivocado. O Espiritismo sob Kardec apareceu no século XIX muito depois de um cristão como Agostinho de Hipona ter escrito um livro com o título…LIVRE-ARBÍTRIO há mais de 1500 anos atrás! Na verdade, as discussões sobre livre-arbítrio sempre estiveram presente entre os cristãos, mesmo os mais primitivos.

Quando você ouvir alguém falar que “só os satanistas falam em livre-arbítrio”, saiba que se trata de uma pessoa com baixa cultura cristã, ignorante, paranóico, com tendências acusadoras difamatórias e que provavelmente nunca leu nada sobre o assunto além de sites conspiracionistas, ou sites de céticos e ateus.

Lembrando que as pessoas que falam que não existe livre-arbítrio, ou seja, de que tudo é determinístico no mundo, são os naturalistas ateus. Eles dizem que todos nossos pensamentos e ações são determinados por causas naturais fora de nós mesmos e que o livre-arbítrio é uma ilusão.

Por fim, vou deixar aqui com vocês bons vídeos sobre o Problema do Mal e o Livre-Arbítrio.

Vocês acreditam que Afonso de Vasconcelos teria alguma chance contra William Lane Craig num debate sobre livre-arbítrio?

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Douglas Aleodin
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